Gregório de Matos
- 4 de abr. de 2017
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Apelidado de "Boca do Inferno" por sua poesia satírica, Gregório de Matos
foi um poeta lírico e religioso brasileiro.
BIOGRAFIA:
Gregório de Matos nasceu em Salvador, Bahia, em 1636. Filho de pai português e mãe baiana, frequentou o Colégio da Companhia de Jesus. Foi estudar na Universidade de Coimbra. Em 1661 já está casado e formado em Direito. Neste mesmo ano, é nomeado juiz em Alcácer do Sal, no Alentejo. Volta à Salvador, nomeado procurador da cidade, junto a corte portuguesa. Fica viúvo e casa-se novamente.
Além de grande poeta, fez também um trágico retrato da vida e da cultura baiana do século XVII. Como não havia imprensa no Brasil Colônia, seus poemas tiveram circulação escrita e oral. Seus poemas líricos e religiosos revelam influência do barroco espanhol. Sua poesia satírica critica e ataca sem compostura toda a sociedade baiana, recebendo então o apelido de "Boca do Inferno".
Em 1694, por suas críticas violentas e debochadas às autoridades da Bahia, é degredado para Angola. Em 1695 recebe permissão para voltar ao Brasil, mas não para a Bahia. Vai viver na cidade do Recife.
Gregório de Matos Guerra morreu no Recife, em 1695.
DIVISÃO DAS OBRAS:
Sua produção poética pode ser dividida em quatro linhas:
Religiosa: A preocupação religiosa do escritor revela-se no grande número de textos que tratam do tema da salvação espiritual do homem;
Satírica: Criticava a situação econômica da Bahia, especialmente de Salvador, depreciava desde autoridades até a religiosidade presente naquele momento, desafetos estes que lhe renderam o título de Boca do Inferno;
Lírica: Mostrava-se um poeta angustiado em face à vida, à religião e ao amor. Na poesia lírico-amorosa, o poeta revela sua amada, uma mulher bela que é constantemente comparada aos elementos da natureza. Além disso, ao mesmo tempo que o amor desperta os desejos corporais, o poeta é assaltado pela culpa e pela angústia do pecado.
Erótica: Também intitulado de profano, o poeta exalta a sensualidade e a satisfação das amantes que conquistou na Bahia, além dos escândalos sexuais envolvendo os conventos da cidade.
OBRAS:
Gregório de Matos não publicou nada em vida. A totalidade de sua obra se manteve inédita, até quando Afrânio Peixoto as reuniu em 6 volumes:
I. Sacra: Contém todos os poemas religiosos;
II. Lírica: Contém todos os poemas lírico-amorosos;
III. Graciosa: Contém poemas que exploram o humor;
IV e V. Satírica: Contém todos os poemas que exploram a sátira;
VI. Última: Contém poemas misturados.
Foram publicados no Rio de Janeiro, pela Academia Brasileira de Letras, entre 1923 e 1933, sob o título de "Obras de Gregório de Matos".
Descrevo que era Realmente Naquele Tempo a Cidade da Bahia
Gregório de Matos
"A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha; Não sabem governar sua cozinha, E podem governar o mundo inteiro. Em cada porta um bem freqüente olheiro, Que a vida do vizinho e da vizinha Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha, Para o levar à praça e ao terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos sob os pés os homens nobres, Posta nas palmas toda a picardia, Estupendas usuras nos mercados, Todos os que não furtam muito pobres E eis aqui a cidade da Bahia."
Fontes:









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